"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade...
(William Shakespeare)

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Quinta-feira, Abril 14, 2005


Nossa...qto tempo.
Quanta coisa tem acontecido em tão curto espaço de tempo.
Sou outra.
Quem me vê aqui, não me reconhece mais.
Podem acreditar, sou outra.
Sou, agora, uma mulher de cabelos longos, que gosta de correr e do trabalho que faz.
Sou uma pessoa calma, uma funcionária exemplar, uma filha mais ou menos, uma amiga das piores. Sou uma compradora compulsiva, uma baladeira de primeira.
Tudo bem baladeira só. De primeira, ainda não.
Sou, talvez, quem eu sempre fui, mas de quem eu tinha me esquecido nos últimos anos. Volto a acreditar na vida, ainda não no amor, não como foi antes, não angelical e perfeito, mas, quem sabe, num amor imperfeito, cheio de coisas dessas que a gente jurava que não ia acontecer com a gente. Um amor baixinho, ou careca, ou falante demais, ou organizado demais, ou com aquela paradice indesejada de sempre, sei lá. Mas volto a acreditar que exista um amor calmo , sincero e quente, onde eu possa recostar a cabeça quando ela pesar. Acredito mas não anseio, acredito e, por isso, não me desespero, não me aperreio, não me faço mal. Quando ele vier - ele deve vir - eu saberei viver sozinha, eu saberei lidar com os meus medos, eu não precisarei dele pra me salvar, eu me sinto forte o suficiente para ser guardiã das minhas próprias expectativas.
Sou outra, hoje. Sou uma mulher com traços de egoísmo, antes inexistente. Não vou almoçar com quem não tenho vontade, nego convites que me desinteressem, sou mal-educada, às vezes, e ¿ o pior - meus ombros não pesam de culpa por isso.
Aliás o peso, hoje, vem do trabalho, das descobertas, sinto o peso da minha força e não mais das minhas fraquezas. sou mais leva, peso menos, me cobro menos, me canso mais. Ai desisti da vida perfeita, porque era pesado demais o fardo de tentar tê-la. Desisti de ser a mulher perfeita, a doce menina, a educada, a esperta, a frágil, a sensual, a linda a sem-maquiagem do século. Meu Deus ninguém é isso, que idéia!

Sou mais feliz feia. Onde já se viu isso? Sou mais feliz de óculos, com a pele pálida, sem batom.
Me desculpem, talvez eu seja mais chata, mas sou mais tranqüila. Me desculpem amigos, se não sou mais triste como era fácil ser. Me desculpem se não tenho mais relatos dramáticos, dores sem fim, textos chorosos. Peço desculpas porque me levantei do confortável sofá de vítima, onde eu estava afundada, e de onde tudo era simples e contagiosamente dolorido.
Hoje sou outra. Uma mulher que ri sem parar. Que canta alto no carro, como uma menina. Que dança sozinha em casa, feliz por haver uma casa vazia onde ninguém nos vê. Que xinga de vidros fechados, que diz não, inclusive quando quer mesmo dizer...
Não, não enxergo tudo com discernimento e sei que nunca o farei. Sempre haverá uma névoa, uma sombra, a fumaça preta de um resultado frustrado. Meus olhos cegam ainda, mas pela claridade e não mais pela escuridão.
Sou outra. Uso óculos escuros e mini-saia. Muito prazer.


Postado por
Ana às 13:01 Comente!