"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade...
(William Shakespeare)

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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005


Então acabou o carnaval.
Eu nem senti. Não joguei confetes nem serpentinas. Não vesti fantasia. Ou não vesti nada que já não faça todos os dias...
Fiz um monte de coisa em família. Vi meus tios velhinhos, os primos crianças... Levei meus sobrinhos pra patinar no gelo e ele queriam sair antes da meia-hora. Mas eu não queria. Brigamos.
Patinar no gelo é muito bom.
Eu comecei com aquele medo de todo mundo. Dei algumas voltas na pista segurando na barra. Não tinha tanta graça. Olhei as pessoas se arriscarem longe do apoio e ri com as que se estrepavam no chão molhado. Elas também riam. As vezes. Houveram as que choraram, as que ficaram sem jeito. Todas levantaram. Algumas desistiram. De qualquer forma elas tinham tentado.
De repente me dei conta de que o legal era tentar. Queria ficar com a calça molhada e desafiei as crianças: ¿Eei estou indo para o meio...¿. mas eu sentia medo. Sentia medo de cair e não levantar mais. Sentia medo de todo mundo rir. Sentia medo de doer meu bumbum, de dar mau-jeito na coluna. Sentia medo de cair, e voltava pra barra...
Passei a minha meia-hora assim. Querendo cair e temendo cair. Passei a minha vida assim..
Quero tentar, me afasto da barra, ouso o meio...me assusto, volto pra barra, fica sem ¿ graça.
Puxa vida, quanto tempo tenho até entender que não há nada demais em molhar minha calça? Cair não é tão grave assim, pensei num instante. Até os que desistiram e saíram da pista aos prantos, ganhavam a minha admiração. Só os covardes é que saiam de roupas secas. Só os covarde não dão mau-jeito na coluna.
Na vida afora, esses covardes não me inspiram, não me alimentam, não me animam.
Na vida afora, tenho sido um desses covardes.
Finjo que a barra é boa, que há alegria em dar voltas e voltas segurando em um apoio. Finjo que há patinação nesses impulso que meu braço faz.
Não há.
Minto, portanto, que sou feliz agarrada à segurança. Não sou.
Olho para o meio e, quando o assumo, invejo os outros patinadores. Invejo todos vocês, seres perfeitos, que soltam as mãos por alguns minutos. Quando olho para o meio, onde não há nada em que se segurar, onde as pessoas deslizam em seu próprio desequilíbrio, sinto o gelo da alegria rachar meu coração, e me viro novamente para firmeza daquela barra medíocre.
Antes eu fosse uma criança, que, enorme, consegue tentar, ainda que por uma deslizada só. Antes eu fosse uma gordona, que sai na viedo-cassetada, porque achou que ia dar certo.
Antes a força que ora acerta, do que a covardia sempre errante.
Quero soltar as mãos, ainda vou conseguir.
Há de ser logo porque a patinação vai até esse final de semana, já está acabando. A vida também, não demora a passar, enquanto eu me seguro nas bordas do tempo...


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Ana às 23:52 Comente!



Domingo, Fevereiro 06, 2005


Fui na blockbuster.
Hoje é sábado, de carnaval. Eu moro em são Paulo.
Pois bem. Não há ninguém na cidade. As ruas estão vazias. os shoppings estão vazios, os apartamentos estão apagados, vazios. Na Blockbuster, três pessoas, contando comigo. Eu ando pela loja e noto rapidamente: nào tem filmes. Estão todos fora.
Me dirigi ao caixa e falei com o moço, que me reconhece das sextas a noite:
- Oi, tudo bem?
- Tudo e vc? Escolhendo filmes por carnaval? Temos uma promoção e...
- Me diz umas coisa, moço, hoje é carnaval mesmo né?
- É sim.
- A cidade está tão vazia..
- Está.
- Na minha garagem, tem só 6 carros, contando com o meu. Na manicure hora a vontade. Na rua, olhe só, ninguém...
- Sei.
- Então, por favor, QUEM PEGA OS FILMES?
Ele riu: tem muita gente na cidade...
- Moço vc acabou de concordar que não tem ninguém, não é possível isso. Está vazia, olha só...não tem ninguém., meu irmão ta viajando, meus primos, minhas amigas, todas elas, todas. Conheço pessoas que estão em todas as cidades do país, menos em São Paulo. Aqui só tem eu e vc, moço e, estranhamente, não tem filmes aqui, está tudo fora!! É um complô?! É? Me diz, me explica? São os amigos que, antes de ir pra praia, passam aqui e fazem a rapa pra sacanear os nerds? É isso? Uma conspiração?
- Não é não...vamos ver, que filme vc queria?
Eu estava brava, era pra ser uma brincadeira e eu estava séria, vê se pode...
Pedi desculpas, ri também, comprei um balde de sorvete, um pote de M&Ms e vou assistir ao desfile. Se estiver passando né?
A conspiração pode ser grande...
Feliz feriado pra vcs. Aproveitem como puderem. Aos foliões, que façam suas folias. Aos calmos, que usufruam da paz.
À todos, por favor, que não peguem todos os filmes da locadora...


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Ana às 00:00 Comente!