"O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade...
(William Shakespeare)

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Quarta-feira, Janeiro 26, 2005


Príncipes: os verdadeiros vilões
22.janeiro.2005

Há perguntas que permeiam a humanidade desde sempre. E, embora saibamos que não há resposta exata, insistimos: ¿Porque amamos alguém? Porque nos apaixonamos e acreditamos e nos entregamos até?¿

Arrisco um palpite: Porque vemos que aquela pessoa nos oferece o que precisamos. E porque sofremos? Eu tenho certeza que é porque descobrimos que ela não nos oferece nada do que precisávamos.

Eu sempre escolho homens que me parecem fortes e protetores. E sempre sofro por me sentir fraca e desprotegida com eles. Eu tenho escolhido errado.

Acredito que porque eles falam alto, são musculosos e me carregam no colo, eles são fortes o suficiente pra me proteger de qualquer perigo. Mas está tudo errado. Essa teoria de uma frasesinha só, já tem dois erros gigantes. O primeiro é que eles serem musculosos e falarem alto e me carregarem no colo, só significa, na realidade, que eles podem me derrubar de uma altura considerável - e é o que tem acontecido.

E em segundo lugar que eu não estou presa numa torre, cercada por dragões que cospem fogo, para ter de ser protegida de qualquer perigo. O perigo ­ como eu não vi?! ­ eram os heróis...

Eu achava que eles iam me salvar, me proteger, como um príncipe fazia nos contos de fada, mas, olhando bem, eles eram os que cuspiam fogo pelo nariz. O salvamento, a proteção, o cuidado, esse vinha de outro lado. Dos amigos, da família, do trabalho, de mim mesma.

Puxa vida! Decididamente, está tudo errado... O herói é um perigo, o mocinho é bandido, a torre foi erguida por quem, afinal? E que idéia idiota de torre é essa, meu Deus?!?!

Eu, se tivesse presa numa torre só pra mim, com uma vista dessas, conforto, calorzinho, ia querer sair de lá porque?! No máximo eu pedia pro príncipe me levar uns livros, uns filmes, um micro e pronto. Depois tratava de deixar o dragão acabar com ele que não ia mais me servir de nada...

Tá bom, essa parte é mentira.

Mas que os contos de fada não tem pé nem cabeça, isso é verdade. A gente cai porque é criança. Acreditamos até em papai-noel e em coelho da páscoa, oras... Mas eles... eles não nos infernizam tanto quanto os príncipes.

No fundo não sei se conseguimos nos livrar dessas bobagens. De alguma forma, a cada nova escolha, estamos mais uma vez nos mirando na Cinderela, Bela, Branca de Neve, ou qualquer uma delas.

Mesmo as descrentes, as independentes, as fortes. Mesmo a Cicarelli, a Galisteu ou a Hebe. Todas elas querem ser gostadas. Todas elas, por mais que estejam distantes do romantismo, compram vestidos esvoaçantes. Ou tomam um banho longo. As mais bem-resolvidas devem se sentir sozinhas vez ou outra e suspiram com cenas de amor.

Ninguém escapa. Algumas sobrevivem. Enfrentam, se tornam maduras, fazem as renúncias necessárias e se erguem. Eu acredito nisso: em um tempo de paz, que talvez inclua um pouco de resignação e cansaço (será?). Mas que te permita desligar a tv e tomar a pílula do mundo real. Apesar de tudo ele também deve valer a pena...


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Ana às 19:20 Comente!



Domingo, Janeiro 23, 2005


Acho que não sou mais mulher. É uma revelação chocante, eu sei. Mas está me acontecendo.
Fui na ginecologista esses dias. Porque não mênstruo mais. Mil exames, chatíssimos, papéis, convênios, laboratórios e hospitais, o veredicto: ¿você não está ovulando.¿
Ela falou, como se fosse uma sentença de morte. E falou, falou, falou, mas acho que era em Árabe. No final me receitou anticoncepcional. ¿Mas eu não faço nada. Já tenho minha proteção natural...¿ Retruquei.
¿Anticoncepcional, não é só para prevenir gravidez. Você vai menstruar artificialmente.¿ Ela falou em português daí...
Peguei a amostra, me despedi, desejei boa tarde, e fui embora. Eu me sentia sozinha. Eu estava sozinha. Cinco minutos depois, enquanto dirigia, eu chorava no telefone com uma amiga que ligou na horinha certa...
Aos prantos, eu tentava entender o que acontecia:
- Eu não sou mais mulher...
- Claro que é, deixe de bobagens...
- Eu tenho que menstruar artificialmente...
- Ótimo, pílulas ajudam em muita coisa...
- Eu não faço nada com ninguém, porque preciso tomar isso? Sou sozinha, tão sozinha, tão absolutamente sozinha, que nem beijo dou...Porque tenho que tomar isso?
- Vai ser bom pra vc, se acalme...
- Eu não sou mais mulher...
- Você é. Sinto muito...
- Sabe o que mais ela disse? Que o próximo sintoma dos cistos é ter mais pêlos! Tá vendo? Estou me transformando num homem...
- Vai te nascer um pinto?
- Ai, não!
- Então? Você é uma mulher...
- Eu não consigo usar saltos, eu não sei me maquiar, eu não me apaixono, eu não mênstruo, eu troquei Sex and the City por 24 horas, e eu vou ter barba!! Ai sou um homem feito!

Ela riu... as amigas sabem quando estamos só malucas. Nós não sabemos.
Só percebemos depois.
Mil pessoas tem essa doença. Uma em cada cinco mulheres, mais precisamente.
Mas eu me sinto preocupada ter de tomar pílulas que me fizeram mal quando eu costumava precisar delas.
Me sinto pouco mulher quando me sinto tão solitária. Talvez eu esteja perdendo algumas habilidades. A de menstruar, a de me empolgar, a de me apaixonar... Não consigo ficar com alguém por mais de 5 minutos. Não consigo. Isso é coisa de homem.
Mas me sinto exausta, cansada de tentar e errar, e ter sempre as mãos vazias... Isso não é coisa de homem...
E eu me assustei ao sair daquele consultório. Me senti frágil e insegura por uma bobagem, isso tudo, é típico de mulher né?
Que bom. Há uma luz no fim do túnel...


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Ana às 22:49 Comente!



Domingo, Janeiro 16, 2005


post repetido....sentimentos repetidos...
devo ter gasto todos. recebo uma cota dos antigos, reciclados...
recebam vcs tbém:
Houve um tempo em que eu pensava que o amor era um bolo pronto, quente, com recheio de chocolate, qualquer coisa deliciosa e simples que encontramos sobre o café da manhã de um sábado de sol.
Eu pensava que encontraria o meu amor assim, pronto, lindo cheiroso, com um luminoso na testa piscando: ¿alma gêmea, alma gêmea, alma gêmea¿. Daríamos as mãos e sairíamos andando juntos, como ficaríamos até o envelhecer.
Eu não contava com dúvidas, medos, questionamentos, muito menos com a -hoje provável -possibilidade de mudar de idéia. Para mim o amor viria pronto para saborear, em caixinha, falaria conforme o script e não deixaria sequer um rastro de confusão ou tristeza na minha cabeça tola.
Antes, não havia a construção do amor. Havia o amor.
Mas eu me enganei.
O amor, se existir, não vem pronto. Se for um bolo de chocolate há de vir os ovos, a farinha o fermento. Com sorte virá uma receita por escrito. Normalmente não...
Ainda assim há de ter paciência para ver o bolo dourar, crescer, assar.
Há de ter sensibilidade para que não passe da hora, atenção para não deixá-lo queimar. E depois disso tudo, esperar esfriar, e ter um pouco de fome para saborear.
O amor, se existir, pode levar anos para estar pronto, uma vida inteira para, talvez, no final, percebermos que não assou, que estragou, que desmanchou no forno. Era pra ser amor, mas queimou, diremos cabisbaixos. Ou então, jovens demais, olharemos ofegantes: Era pra ser amor, mas está cru.
Talvez algumas vezes pareça que está pronto, o bolo. Apetitoso, cheiroso... Porém ao experimentar diremos: Ihh tá com gosto de farinha, mas era pra ser amor.
Ou então acontece de o bolo sair bom, tiramos uma garfada e vibramos satisfeitos: Achei!- Mas daí, quando vamos desenfornar, o bolo desmancha. Você fica lá, tentado juntar, ajeitar, mas o que era pra ser amor, está em pedaços....
Ah talvez por isso percamos a fome, nos cansamos e nos contentamos com qualquer coisa mais ou menos, sem recheio, sem gosto, sem açúcar... Eu, tenho escutado o padeiro dizer: Amor não tem mais não. Se quiser, leva esse aqui...
E lá vou eu carregando a sacolinha do bolo pulmman. Meio velho, frio, sem gosto. É só pra não morrer de fome mesmo...


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Ana às 19:43 Comente!



Domingo, Janeiro 09, 2005


Fui a um casamento ontem.
É incrível como sempre me comovo.
É tudo absolutamente igual.
O vestido branco, o buquê, os abraços, as músicas, o tapete vermelho...Tudo sempre igual, de novo. Mas, alguma coisa nessa mesmice toda, me faz achar que é diferente...Alguma coisa que me faz chorar....
Ficava me perguntando o que fazia com que eu me emocionasse tanto.
Seria a música? Seriam os convidados? E se fosse uma vassoura vestida de branco ali, eu iria chorar daquela forma? Ou se não houvesse som e ela entrasse no silêncio, iria eu me sentir tão tocada com a cena?
Não sei...Talvez seja mesmo o conjunto.
Talvez seja o sentimento que aquela moça, vestida de pura, nos inspira quando a contemplamos na sua beleza radiante...
As noivas são sempre radiantes. Estão sempre com um brilho que invoca a alegria do amor, a alegria da conquista, aquela mesma da Bela, da Cinderela, da Rapunzel...
Ontem, no entardecer, eu admirava aquela menina. Não sabia tanto dela, mas admirava a força que ela teve pra chegar até ali. Admirava a ingenuidade dela, pra tentar aquilo tudo, como se fosse ser bom. Admirava como admiro os bebês que nascem e dormem tranqüilos sem saber o que os espera.
Será que ela sabe? Será que ela imagina o quanto vai chorar e sofrer, e doer?
Se souber, a admiro mais ainda. Admiro a disposição que ela tem pra se entregar a um homem e ir viver com ele. Admiro a coragem que ela tem pra tentar formar uma família diante de tantas estatísticas negativas. Ela acredita que estará naquele percentual que se salva. Incrível né? Ela acredita que vai ser diferente...
Admiro a força e a ingenuidade daquela linda moça que nos fez chorar tanto...
É preciso tanta força pra não desistir... É preciso tanta ingenuidade pra acreditar...
Lembrei da minha mãe. Lembrei dos meus tios que eu tinha visitado ainda naquela manhã. Eles têm mais de 50 anos de casados. Ela conta que pensou em desistir quando soube que ele tinha 18 anos e não 21 como havia dito antes. E ela só descobriu a mentira porque era época da guerra e ele temia ser chamado. ¿Porque você está preocupado, seu tempo já passou¿.Ela lhe disse doce e ingênua como devia ser. E ele lhe contou apavorado: ¿Não passou... Eu nasci há 18 anos...¿ Ela se assustou. Era mais nova que ele, quase dois anos. Como podia ser, o que iam fazer?
Mas aí já haviam se passado 5 anos de namoro e acabaram ficando juntos... ¿Porque tia?¿ Eu perguntei romântica... ¿Ah porque aí já tava junto né? Não tem como desmanchar...¿
Não era romantismo e nem amor. Era comodismo mesmo. E não tem problema. Ela sem vangloria de ter mantido o relacionamento porque ele foi bom pra ela. Foram felizes juntos. São felizes ainda hoje, mesmo que ele não escute bem. Ele traz os remédios dela, ela faz o almoço dele. Ele teve câncer ela enfartou. Eles se ajudaram, se salvaram, se reergueram...
Ela não se arrepende. Nem por um instante. Ele não diz nada, mas a olha com amor e nota qualquer riso novo, qualquer olhar diferente...
Eles andam de mãos dadas, comentam do tempo, dos filhos, dos netos, da comida, da novela, riem das próprias confusões, debocham dos próprios erros, elogiam-se mutuamente, por tantos acertos.... Eles se divertem juntos.
Ontem, naquele casamento, enquanto o padre falava, rezei para que aquele casal tivesse a sorte dos meus tios. Que eles tomassem as decisões certas, que eles não largassem um da mão do outro, quando precisassem mais. Como um bebê, fui ingênua a ponto de pedir amor eterno aos meus amigos. Carinho eterno, sei lá que nome tem. Que eles se cuidassem, se olhassem sempre com aquela ternura que tinham ali. Que conseguissem se achar, se encantar se segurar.
É, não seria fácil, eu pensei quando lembrei dos meus tios. Mas seria bom, pensei em seguida, com as mesmas lembranças...


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Ana às 16:20 Comente!